Podem orações serem impedidas? Seria realmente a oração uma "arma" infalível? No mundo que se denomina "evangélico" creem que sim.
Predominam entre nós chavões como: "eu creio no poder da oração", ou "eu creio no poder dos joelhos que se dobram em oração", ou "eu não aceito o mal", ou ainda, "eu exijo que o mal seja extirpado".
Como ficam, então, os textos das Escrituras que demonstram que há orações que não são ouvidas?
O apóstolo Pedro fala de impedimento de orações (1Pd 3.7). O profeta Jeremias transmite a palavra de Deus que diz a ele: "Tu, pois, não ores por este povo, nem levantes por ele clamor ou oração, nem me importunes, porque eu não te ouvirei." (Jr 7.16). Diz, também: "Eis que trarei mal sobre eles, de que não poderão escapar, e clamarão a mim; e eu não os ouvirei." (Jr 11.11).
O próprio Deus expõe o motivo de não ouvir, de as orações serem impedidas, de se tornarem uma importunação para Ele. Diz, ainda através do profeta Jeremias: "Tu, pois, não ores por este povo, nem levantes por eles clamor nem oração; porque não ouvirei no tem em que eles clamarem a mim, por causa do seu mal." (Jr 11.14) Sim, o mal impede as orações. Não adianta clamar, não adianta ajoelhar, não adianta exigir de Deus, se houver prática do mal e se o mal estiver presente na vida de quem ora, ou por quem se faz orações. Mesmo que sejam as orações com grandes gritos (Ez 8.18).
Que mal poderíamos citar mesmo naqueles que parecem ter uma vida perfeita, piedosa?
1. O mal do desvio da fé. Quando uma pessoa diz que crê no poder da oração está depositando a sua confiança no ato de orar e deixando de crer naquele que ouve a oração. O poder não é da oração, porém o poder é de Deus, que ouve e tem poder para atender conforme a vontade dEle. Não foi assim que o Filho de Deus nos ensinou, "Seja feita a tua vontade"? (Mt 6:10) Quando alguém afirma que crê no poder dos joelhos dobrados, está depositando em que a sua fé? Nos joelhos ou em Deus?
2. O mal da soberba. Quando uma pessoa ora exigindo de Deus, ou declarando que algo vai acontecer, está sendo soberbo. Está se colocando acima de Deus; está fazendo dEle o seu servo. Mas Deus resiste ao soberbo. Em 1Pd 5.5 lemos: "revesti-vos de humildade, porque Deus resiste aos soberbos, mas dá graça aos humildes." E em 1Jo 2.16 lemos que a soberba da vida não é do Pai, mas do mundo.
3. O mal do padrão do mundo. As orações repetitivas seguem um padrão do mundo, das religiões de idolatria, feitiçaria ou filosofias. Jesus foi muito claro quando disse: "não useis de inúteis repetições, como os gentios, que pensam que por muito falarem serão ouvidos." (Mt 6.7)
4. O mal do exibicionismo. Há pessoas que gostam de orar em público, em declarar que estão orando, que gostam de ser o centro das atenções e se utilizam das orações para isto. Mas, novamente lemos de Jesus ensinando: "E, quando orares, não sejas como os hipócritas; pois se comprazem em orar em pé nas sinagogas, e às esquinas das ruas para serem vistos pelos homens. Em verdade vos digo que já receberam o seu galardão." (Mt 6.5)
Concluímos que nem todas as orações são ouvidas e que há orações que são impedidas porque trazem em si algum tipo de mal que formam verdadeiras barreiras diante de Deus.
Este blog é destinado à publicação de estudos teológicos do Pr. Dinelcir de Souza Lima, baseados acima de tudo na revelação pessoal que Deus fez à humanidade através das Escrituras Sagradas, a Bíblia. Cremos que sem a revelação de Deus ao homem seria impossível conhecer Deus, por isso partimos do princípio que a Teologia só pode ser firmemente alicerçada a partir da Bíblia.
sexta-feira, 28 de fevereiro de 2020
quarta-feira, 4 de novembro de 2015
OS DONS ESPIRITUAIS
1
Coríntios 12:1-11
O
apóstolo Paulo já havia discorrido a respeito de problemas concernentes aos
sentimentos e ao corpo, a atitudes manifestadas em atos e realizações físicas.
Agora precisava falar a respeito de graves problemas no âmbito espiritual e ele
inicia dizendo literalmente o seguinte: “A respeito do que é espiritual...”, ou
“A respeito da espiritualidade...”; ou “A respeito do que concerne ao
espírito...” A expressão “dons” é enxerto de tradutores e não existe na sua
frase inicial. Ele estava preocupado com comportamentos e pensamentos que
giravam em torno do que é imaterial, do que envolve tanto o espírito do ser
humano, quanto o Espírito de Deus. E naquela igreja havia muita confusão a
respeito, pelo fato de a espiritualidade deles ter, ainda, como padrão, a sua
antiga religiosidade gentílica (v. 2).
Agora, convertidos, novas criaturas em Cristo Jesus, precisavam
conhecer o que é espiritual em conformidade com a realidade do Espírito Santo,
sua natureza, propósitos e atos vindos realmente de Deus. E nós, também
influenciados por ensinamentos e comportamentos humanos, oriundos de
religiosidades pagãs ou de incredulidades quanto à Palavra de Deus escrita,
precisamos conhecer a respeito do Espírito Santo e suas manifestações na
igreja. Não podemos ser ignorantes como os da igreja de Corinto eram.
I. O
ESPÍRITO SANTO LEVA À GLORIFICAÇÃO DE JESUS – v. 3
O conhecimento principal para a compreensão das manifestações do
Espírito Santo é o de que Ele sempre leva o ser humano à glorificação da pessoa
do Senhor Jesus (ver também João 16:14). Nunca leva à glorificação da própria
pessoa, nem do próprio Espírito Santo, porém à pessoa do Salvador, do Senhor,
do Filho de Deus.
Anátema
significa algo ou alguém que é dedicado à destruição, ao sofrimento. Daí se
dizer, também, que anátema significa maldito. Mesmo que seja em sentimento
manifestado em palavras, dedicar algo ou alguém à destruição é manifestar
desprezo. Então, dizer Jesus é anátema é manifestar desprezo por ele. Ao
contrário, referir-se a Jesus como Senhor, é glorificá-lo, é exaltá-lo como Rei
dos reis, Senhor dos senhores.
Para
não sermos guiados por falsos ensinamentos precisamos, portanto, antes de tudo,
observar se quem nos tenta ensinar, ou nos incitar, ou nos conduzir, despreza
ou exalta a pessoa do Senhor Jesus. Se exaltar-se a si próprio, ou se exaltar a
pessoa do Espírito Santo acima de Jesus, é falso profeta, falso mestre, falso
pastor. Quanto a ensinamento, é falso, enganoso.
II. A
DIVERSIDADE DOS DONS DO ESPÍRITO SANTO E A UNIDADE DE DEUS, JESUS CRISTO E
ESPÍRITO SANTO – v. 4-11
Pelo
contexto da carta percebemos que havia irmãos na igreja de Corinto que se
exercitavam na prática de algumas manifestações espirituais apenas e, talvez,
as que mais lhes eram convenientes para a aquisição e manutenção de posições de
destaque na igreja. O destaque ia para o fenômeno da glossolalia (produção de
ruídos estranhos, ininteligíveis com a boca) e para a adivinhação (que confundiam
com a profecia). Mas o apóstolo Paulo, antes de discorrer profundamente a
respeito desses fenômenos, se preocupa em ensinar que existem diversos outros
dons do Espírito Santo, que visam a prestação de serviços ao Senhor Jesus e que
todos são realizações dedicadas a Deus. Ou seja, os dons são diversos, provém
do Espírito Santo conforme a vontade dEle porque distribui a cada um como quer
(v. 11) e nunca são para o indivíduo, para seu benefício próprio (nem mesmo
para a própria edificação) nem a distribuição e recebimento de dons é conforme
a vontade de quem os busca.
Para
compreendermos melhor a respeito dos dons do Espírito Santo precisamos analisar
o seguinte:
1. O que é dom do Espírito Santo
A
expressão grega utilizada Pelo apóstolo Paulo e traduzida por “dom” é “karismáton”, que tem como principal
significado “favores não merecidos, porém gratuitamente concedidos.”
Compreendemos, assim, que o apóstolo Paulo não está falando nada a respeito de
recebimento do Espírito Santo, mas de capacitação
concedida pelo Espírito Santo para o serviço cristão. A expressão é
traduzida por dom porque não temos na língua portuguesa uma expressão que, por
si só, consiga dar o mesmo sentido que a palavra grega. E, também, porque são
capacitações que vêm aos crentes em Cristo como dádivas divinas, sem que o
crente tenha que merecê-las.
2. Os dons são individuais. Os dons são manifestados e o apóstolo
Paulo afirmou que a manifestação do Espírito é dada a cada um para o que for
útil e, compreendemos, ao serviço cristão. Observe-se com atenção que
manifestação é ação e que não há, portanto, dom sem manifestação. Isto seria
inútil.
3. Quais capacitações foram referidas pelo apóstolo Paulo. Os dons do Espírito Santo ensinados à igreja
de Corinto foram os seguintes:
a) Palavra de sabedoria – Capacidade de se expressar com sabedoria, com prudência, com
inteligência.
b) Palavra de conhecimento – Capacidade de transmitir o
conhecimento verdadeiro, de ensinar o que é correto, de doutrinar.
c) Fé – convicção da verdade (pistis). Lembramos que o apóstolo Paulo
está falando de manifestação de dons. Está, portanto, se referindo à fé
verdadeira, com atos e atitudes que manifestam a convicção da verdade.
Lembremo-nos de que os atos, as realizações (ergon) de fé são as manifestações
de que a fé é real, verdadeiramente existente (Tiago 2:18).
d) Os meios de cura – A palavra utilizada é iama,
que significa exatamente isso: “um meio de cura, remédio, medicamento”. O
apóstolo Paulo não estava se referindo a curas milagrosas, porém aos meios de cura.
Se quisesse se referir a cura teria utilizado a palavra iaomai, que é o verbo curar,
sarar. Diferentemente do que muitos pensam e defendem hoje, o apóstolo
Paulo estava dizendo que, na igreja, o Espírito Santo concedia a crentes meios,
recursos, medicamentos, para curar.
e) Realizações de poder – A palavra que é traduzida por milagres é dunamis que significa literalmente poder, força, capacidade. A palavra que
foi traduzida por operações é energema,
que significa aquilo que foi realizado, resultado de uma operação. Por isso
traduzimos por “realizações de poder”. Não é possibilidade de realizações,
porém a realização concluída e de algo poderoso. Não significa necessariamente
que sejam milagres, pois pode ser qualquer realização poderosa para o Senhor Jesus
Cristo. Por exemplo, a realização, a conclusão da operação da evangelização
levada a efeito pelo apóstolo Pedro no dia de Pentecostes, quando se
converteram e foram agregadas à igreja quase três mil almas, foi uma concessão,
uma dádiva do Espírito Santo. Isto significa que poderosas campanhas
evangelísticas realizadas pelas igrejas e conduzidas por alguns, é uma dádiva
do Espírito Santo.
f) Profecia – Confundido por muitos com adivinhações, inclusive de coisas
particulares na vida de pessoas, significa, no entanto, conforme Strong, James:
Léxico Hebraico, Aramaico E Grego De Strong. Sociedade Bíblica do
Brasil, 2002; 2005, “discurso que emana da inspiração divina e que
declara os propósitos de Deus, seja pela reprovação ou admoestação do iníquo,
ou para o conforto do aflito, ou para revelar coisas escondidas; esp. pelo
prenunciar do eventos futuros na predição de eventos relacionados com o
reino de Cristo e seu iminente triunfo, junto com as consolações e
admoestações que pertence a ela...” É, portanto, o dom de anunciar, pregar, a
Palavra de Deus. Uma pregação de acordo com a Palavra de Deus, com as
Escrituras Sagradas, a proclamação do evangelho de Jesus Cristo como consolação
e admoestação do juízo de Deus sobre a humanidade, é manifestação do dom de profecia.
g) Discernimento de espíritos
– seja no sentido do ânimo ou essência do que move o
ser humano (falso ou verdadeiro), seja no sentido de espiritos malignos que se
disfarçam no seio da igreja, através de pessoas e seus atos.
h) Línguas de outros povos,
raças, tribos ou nações – Ao contrário do que consta da maioria das nossas
traduções, o apóstolo Paulo não se referiu nenhuma vez a linguas estranhas ou a
variedades de línguas. Isso é interpretação pessoal de tradudores que mudaram o
sentido, talvez desejando facilitar a compreensão e, ao contrário, dando origem
à grande confusão doutrinária e comportamental que existe hoje no meio
evangélico difundido pelos doutrinadores do pentecostalismo. No grego, no
versículo 10, encontramos as expressões genos,
que significa família, raça, tribo,
nação; e glossa que tanto pode
significar língua no sentido do órgão da
fala, quanto língua, no sentido de idioma.
A referência do apóstolo Paulo é específica à manifestação do dom de
línguas de outras nações. Pessoas que conseguem aprender com facilidade línguas
de outras nações e as utilizam no que é últil para o reino de Deus, são
capacitadas pelo Espírito Santo.
i. Interpretação de línguas
estrangeiras – Conforme significado da palavra hermenéia, do que foi dito de alguma
maneira obscurecida a outras pessoas. É o dom de interpretar, esclarecer e
anunciar de maneira perfeitamente compreensível. Não é um dom de interpretação
de línguas estranhas, isso não existe na Bíbli, mas o dom de interpretação de línguas
de outras nações.
Concluindo
a) Dons são dádivas não merecidas, portanto
não podem ser conquistados através de práticas religiosas; b) Dons são
invisíveis, o que é visível são as manifestações dos dons; c) Dons de profecia,
de cura, de línguas e de interpretação não são o que os pentecostais ensinam,
porém o que está escrito no texto e foi explicado; os dons são uma realidade
para o que for útil na igreja de Cristo e não para o benefício de quem os
recebe.
terça-feira, 7 de abril de 2015
IGREJA, A CASA DE DEUS
Um dia o rei Davi desejou construir uma casa para Deus.
Sentia-se incomodado porque tinha a sua própria casa feita de cedros e a arca
de Deus estava em uma tenda (2Sm 7.2). Falou ao profeta Natã do seu desejo de construir uma casa para Deus e
recebeu como resposta um incentivo para que fizesse tudo o que estava em seu
coração porque, disse Natã, “o Senhor é contigo.”
Mas, não era isto que estava no coração de Deus e mandou
mensagem a Davi dizendo que nunca requereu a construção de uma casa para Ele e
que nunca havia deixado de estar com o seu povo. Anunciou que o filho de Davi
lhe construiria uma casa. Davi ofertou o material para a construção e Salomão,
realmente, construiu o templo para Deus.
Durante o período do Antigo Testamento a casa de Deus foi o
templo de Jerusalém. Naquele lugar eram prestados os cultos e, até determinado
tempo, era onde Deus se manifestava durante o culto sacrificial.
O Senhor Jesus veio ao mundo, estabeleceu o Novo Testamento,
abriu caminho direto para a presença de Deus colocando-se como mediador, único
sacerdote e o templo, até certo tempo ainda utilizado pelos judeus, inclusive
convertidos a Cristo, foi completamente destruído pelos romanos. Aparentemente
Deus ficou sem casa e, de fato, no cristianismo, o templo único, como lugar de
adoração, deixou de existir. Jesus estabeleceu a sua igreja inicialmente em
Jerusalém que, em pouco tempo, foi se espalhando pela face da terra. Cristãos
passaram a se reunir como igrejas de Cristo em diversos lugares. No próprio
templo de Jerusalém antes de ser destruído, em residências particulares, em
escolas, em lugares ao arlivre e, até mesmo, em catacumbas. Aos poucos, em
determinados lugares onde igrejas permaneciam se reunindo, foram sendo
construídos lugares especiais, separados, para as reuniões das igrejas que, sob
a influência do catolicismo (um sincretismo de romanismo, judaísmo e cristianismo)
passou-se a denominar esses lugares especiais de templos.
Surgiu, então, a ideia de que os edifícios eram “casas de
Deus”. No entanto, Deus continuou não habitando em lugares feitos por mãos de
homens, mas habitando nos crentes em Cristo através da habitação do seu Santo
Espírito.
Escrevendo a sua primeira carta a Timóteo o apóstolo Paulo
diz que a igreja é a casa de Deus (1Tm 3:14) e podemos, assim, compreender que
Deus realmente habita entre os crentes em Cristo, nas suas próprias igrejas.
Não nos templos, nos edifícios construídos por mãos de homens, mas nas
congregações dos crentes em Cristo Jesus.
Sendo assim, precisamos valorizar as igrejas de Cristo,
precisamos reverenciar a presença de Deus em suas igrejas, precisamos
desenvolver a fidelidade a Deus e, consequentemente, a seu Filho Jesus Cristo.
Precisamos reconhecer que somos coluna e suporte da verdade de Deus e agir como
tais. Precisamos lutar pela manutenção das características da casa de Deus nas
suas igrejas.
segunda-feira, 6 de abril de 2015
A DIVINDADE E A HUMANIDADE DE JESUS CRISTO
Talvez este seja um dos temas mais polêmicos da Teologia Cristã. Muitos crêem que Jesus foi apenas um homem, outros que foi Deus em aparência humana e, outros, que foi Deus e homem ao mesmo tempo.
Se nos detivermos em uma Teologia realmente bíblica certamente concordaremos que ele foi Deus e homem ao mesmo tempo. Ele não foi gerado por homem, porém pelo Espírito Santo; manifestou poderes divinos sobre a vida, o universo, a natureza; declarou ser o próprio Deus e foi apresentado a discípulos seus como sendo o filho amado de Deus. Declarou-se o único gerado por Deus e, ressuscitado, voltou aos céus e sentou-se à direita de Deus.
No entanto, o grande problema com o qual nos deparamos não é o reconhecimento de que era Deus e homem, porém o conhecimento teológico de como isto se tornou realidade.
Mesmo com aparência de tanta dificuldade para compreensão, a explicação teológica é relativamente simples se considerarmos o que encontramos na Bíblia a respeito do Espírito de Cristo. O apóstolo Paulo se refere ao Espírito Santo como sendo o Espírito de Deus e, ao mesmo tempo, o Espírito de Cristo (Rm 8.9); Jesus foi gerado pelo Espírito Santo (Mt 1.18); enquanto homem, aqui no mundo, o Espírito Santo habitou plenamente em Jesus Cristo, a ponto de não poder ser dados aos seus discípulos enquanto não foi glorificado (Jo 7.39; 20.22).
A divindade de Jesus Cristo não estava em seu corpo, porém em seu espírito. Foi gerado como homem e, por isso, era realmente homem. Porém o seu espírito era o próprio Espírito de Deus e, por isso continuou a ter a sua natureza divina. Fisicamente era homem e espiritualmente era Deus. Por isso, na sua crucificação houve a necessidade de o Espírito de Deus deixá-lo e o Senhor Jesus ter se sentido desamparado. Para morrer ele precisou ser totalmente homem. Caso contrário não poderia morrer, considerando-se que Deus é eterno.
Se nos detivermos em uma Teologia realmente bíblica certamente concordaremos que ele foi Deus e homem ao mesmo tempo. Ele não foi gerado por homem, porém pelo Espírito Santo; manifestou poderes divinos sobre a vida, o universo, a natureza; declarou ser o próprio Deus e foi apresentado a discípulos seus como sendo o filho amado de Deus. Declarou-se o único gerado por Deus e, ressuscitado, voltou aos céus e sentou-se à direita de Deus.
No entanto, o grande problema com o qual nos deparamos não é o reconhecimento de que era Deus e homem, porém o conhecimento teológico de como isto se tornou realidade.
Mesmo com aparência de tanta dificuldade para compreensão, a explicação teológica é relativamente simples se considerarmos o que encontramos na Bíblia a respeito do Espírito de Cristo. O apóstolo Paulo se refere ao Espírito Santo como sendo o Espírito de Deus e, ao mesmo tempo, o Espírito de Cristo (Rm 8.9); Jesus foi gerado pelo Espírito Santo (Mt 1.18); enquanto homem, aqui no mundo, o Espírito Santo habitou plenamente em Jesus Cristo, a ponto de não poder ser dados aos seus discípulos enquanto não foi glorificado (Jo 7.39; 20.22).
A divindade de Jesus Cristo não estava em seu corpo, porém em seu espírito. Foi gerado como homem e, por isso, era realmente homem. Porém o seu espírito era o próprio Espírito de Deus e, por isso continuou a ter a sua natureza divina. Fisicamente era homem e espiritualmente era Deus. Por isso, na sua crucificação houve a necessidade de o Espírito de Deus deixá-lo e o Senhor Jesus ter se sentido desamparado. Para morrer ele precisou ser totalmente homem. Caso contrário não poderia morrer, considerando-se que Deus é eterno.
quinta-feira, 19 de março de 2015
A SÃ DOUTRINA
Baseado em 1Timóteo 1
Um dos grandes males do nosso
século é uma aversão a um ensinamento sadio, a uma regra de vida sadia, baseada
nas Escrituras, a Bíblia. Não é uma aversão somente de pessoas que são de fora
do cristianismo, porém alcança fortemente o nosso meio, até mesmo os
evangélicos que deveriam caracterizar-se por uma vida cristã baseada somente no
evangelho de Jesus Cristo. Por isso, quando utilizamos a expressões doutrina,
doutrinamento e sã doutrina, há uma reação de repúdio e aversão, muitas vezes
zombeteiras ou verbalmente violentas.
Creio que para tais pessoas não
há esperança pois rejeitando a sã doutrina, rejeitam, também, os ensinamentos
bíblicos e para conhecermos e nos mantermos na sã doutrina necessitamos
exatamente do conhecimento bíblico e aceitação dos seus ensinamentos.
Pouco tempo depois de Jesus
Cristo ter estabelecido o seu evangelho no mundo, cerca de 30 anos depois de
sua morte e ressurreição, este problema já existia. Talvez sem a amplitude de
hoje, já que o mal se propaga rapidamente através dos mais variados meios de
comunicação dos quais dispomos hoje, porém já existia. E o apóstolo Paulo se
preocupou em iniciar sua carta ao seu filho na fé, então pastor da igreja de
Éfeso, discorrendo exatamente sobre a necessidade dele se manter na sã doutrina
e levar a igreja a permanecer também. Desse texto inicial, para nosso estudo,
queremos destacar os seguintes.
A PREOCUPAÇÃO COM FILHOS NA FÉ – v. 2
A preocupação inicial de Paulo
não era social, nem financeira, nem com a saúde. Via de regra confundimos as
coisas e, quando levamos alguém à fé em Jesus Cristo nos preocupamos mais com o
seu dia a dia, com as coisas desta vida. A preocupação principal deve ser com a
manutenção da fé verdadeira em Jesus Cristo. Há muita fé falsa e muitos que
rodeiam os crentes em Cristo tentando demovê-los e desviá-los da fé.
O DEVER DO PASTOR EM ADVERTIR CONTRA OS
DESVIOS DA FÉ – v. 3-7
Há sempre pessoas se desviando
e trabalhando para desviar outros da fé. São pessoas que se arvoram conhecedoras,
que querem ser mestres das Escrituras, que não entendem nem o que dizem nem o
que afirmam (v.7), mas que ensinam doutrinas diferentes da de Jesus Cristo. São
pessoas que não se importam com o que Jesus ensinou e se importam muito mais
com o que eles próprios pensam saber. São pessoas que fazem belos discursos
baseados em fábulas, palavras fantasiosas ou se dedicam a intermináveis
genealogias (v.5).
O pastor tem o dever de ordenar
(no texto este significado da palavra grega paraggello
é o que se encaixa melhor) que pessoas não ensinem falsas doutrinas. É
compreensível que o pastor impeça o ensinamento pois, se advertir somente, ou
somente alertar aos crentes, a palavra falsa sempre poderá surtir efeito de
desvio em alguns. Assim como a fé vem pelo ouvir a Palavra de Deus, o desvio da
fé pode vir pelo ouvir ensinamentos falsos. E sempre os ensinamentos falsos
produzirão debates inúteis (este é o sentido de “questões” nos vs. 4 e 6) e
controvérsias.
E os crentes que desejam
permanecer firmes na fé precisam dar ouvidos às advertências do pastor.
O PASTOR PRECISA TER CONVICÇÃO DO VALOR DA
SÃ DOUTRINA – v. 5,8-11
Pastores sem convicção da sã
doutrina se desviam e conduzem as ovelhas por caminhos tortuosos, das falsas
doutrinas. Um pastor que crê no batismo por aspersão leva a igreja a batizar
por aspersão; um pastor que não reconhece o valor da Ceia como um memorial do
sacrifício do Senhor Jesus, leva a igreja a atribuir valores humanos à Ceia. Um
pastor que não crê que a Bíblia é a Palavra de Deus, leva a igreja a descrer da
Bíblia como Palavra de Deus. Um pastor que não crê na necessidade de
santificação da igreja, leva a igreja a se mundanizar, a buscar igualdade com o
mundo. Um pastor que crê que a igreja tem que transformar socialmente o mundo,
levará a igreja a trabalhar pela transformação social do mundo. São apenas
exemplos do que acontece no meio cristão e de como pastores são responsáveis
por tantos desvios.
O pastor precisa ter convicção da finalidade do mandamento de Deus: o
amor de um coração puro, uma boa consciência e uma fé não fingida, verdadeira.
Precisa ter convicção de que o ensinamento é mais eficaz que a imposição
legalista, porquanto leva o crente a um comportamento de fidelidade ao
evangelho por reconhecimento da nova vida em Cristo (ver o exemplo do próprio apóstolo Paulo nos vers 12
a 17). Mas, também, a lei é boa e precisa ser utilizada legitimamente, para com
os que perseveram no pecado (v. 8-11)
Paulo delineia os que precisam ser tratados segundo a Lei:
os injustos (transgressores); os obstinados em não se sujeitarem ao evangelho;
os que não têm temor reverente a Deus (asebes
– chamados de ímpios ou irreverentes em nossas versões); os que se dedicam ao
pecado; os profanos (não santificados); os maus; os parricidas, os matricidas,
os assassinos; os que praticam atos sexuais considerados impuros (pornôs); os sodomitas
(arsenokoites – homens que se deitam
com homens); os que colocam serem humanos sob escravidão ou fazem comércio da
escravidão (andrapodistes); os
mentirosos, os que acusam falsamente e os que são contrários à sã doutrina.
Note-se que o apóstolo Paulo inclui os
que se opõem à sã doutrina com os que cometem os mais variados e terríveis
tipos de pecado.
PRECISA HAVER NO PASTOR O SENTIMENTO DA
MISERICÓRDIA DE DEUS EM SUA VIDA – v. 12-17
O apóstolo Paulo vivia para
obedecer a Cristo e para glorificar a Deus. O que ele sentia procurava, por todos
os meios, passar para os crentes em Cristo, tanto ensinando aos pastores,
quanto ensinando aos próprios crentes. Ninguém é salvo e nem vive a vida cristã
por seu próprio mérito. Ninguém é bom a ponto de merecer a salvação e o
fortalecimento para a vida cristã. No seu profundo sentimento da misericórdia
de Deus em sua vida, ele reconhecia:
a) Era agradecido a Cristo
Jesus. Dava graças à ele.
b) O seu fortalecimento vinha
de Cristo Jesus. Em nossa tradução está que ele reconhecia que o Senhor Jesus o
confortava, porém a palavra utillizada tem a conotação clara de fortalecimento.
c) Ele próprio era propriedade
de Jesus. Ele o chama de “Senhor nosso.”
d) Agradecia porque foi Cristo
quem o considerou fiel para o ministério.
e) Considerava-se o pior dos
pecadores. Mas reconhecia que através da própria misericórdia para com os
pecadores, o Senhor Jesus dava provas da sua longanimidade.
A VERDADE DO EVANGELHO - v. 15 e 16
Uma
palavra fiel, verdadeira (pistos),
digna de toda a aceitação é a de que “Cristo Jesus veio ao mundo, para salvar os
pecadores.” Esta é a
verdade do evangelho de Jesus Cristo, é a essência, é o motivo pelo qual Deus
deu o seu Filho unigênito. Não há evangelho, não há sã doutrina, sem a
convicção e a pregação de que todo aquele que crê em Jesus Cristo tem a vida
eterna. Deixar essa verdade é fazer naufrágio na fé.
CONCLUINDO
O pastor precisa
ser exemplo de fé verdadeira em Jesus Cristo, precisa pregar e ensinar a sã
doutrina, com o objetivo de levar os crentes a conhecerem o evangelho
verdadeiro e se manterem firmes contra os que praticam e pregam doutrinas
contaminadas pelo pensamento humano, ou, até mesmo, criadas por homens.
O pastor precisa
combater o bom combate. Precisa ser combativo contra o mal que rodeia e penetra
na igreja. Não pode ser condescendente, não pode transigir porque ele tem um Senhor
que é o dono da igreja. Precisa conservar a sua fé em Jesus Cristo e a sua
consciência governada pela mente de Cristo. Não pode pensar nem crer com a mente de homens, porém
de Cristo. E a mente de Cristo nos foi revelada por ele próprio e registrada na
Bíblia.
Os crentes em
Cristo têm a mesma Bíblia que o pastor, tem a mente de Cristo e podem ouvir e
aceitar de bom grado os ensinamentos e pregações que são realmente de acordo
com a sã doutrina. Podem ajudar aos que estão se desviando da fé e devem,
individualmente, permanecer firmes no evangelho de Jesus Cristo.
segunda-feira, 5 de janeiro de 2015
O SACERDÓCIO UNIVERSAL DO CRENTE
Existem muitos conceitos teológicos que são produto da mente humana mas que são aparentemente baseados em conceitos bíblicos. Um deles é o chamado "Sacerdócio Universal do Crente". A expressão é bonita, busca referencial no texto da Bíblia, mas esconde algumas heresias. Uma delas é que o crente é responsável pelo bem estar físico e social do seu semelhante. Talvez seja a mais forte delas. Quando solta em uma frase de impacto durante uma pregação soa retumbante nos corações e logo ouvintes ávidos por fazer a vontade de Deus saem a campo e se lançam em um frenesi estafante para cuidar de semelhantes que muitas vezes não estão nem aí para Deus e que muitas vezes estão se exaurindo em atividades idolátricas, orgíacas, imorais. É o caso daqueles que saem a campo para cuidar dos foliões carnavalescos e para dar suporte a romeiros que sucumbem nos seus sacrifícios de idolatria. Cuidar dos idólatras e dos amantes das orgias se transformou em obrigação sacerdotal do crente. Pura armadilha do inimigo porque um sacerdote de Deus nunca teve por incumbência cuidar da saúde de povos pagãos, muito menos enquanto praticavam seus cultos idolátricos e orgíacos.
Na realidade o sacerdócio do crente é apontado pelo apóstolo Pedro sob dois aspectos e somente dois. O primeiro está no campo pessoal. Somos sacerdotes de nós mesmos, no sentido de podermos prestar culto diretamente a Deus, através de Jesus Cristo, sem intermediário algum. É o que o apóstolo diz em 1Pedro 2:4,5: "Chegando-vos para ele, a pedra que vive, rejeitada, sim, pelos homens, mas para com Deus eleita e preciosa, também vós mesmos, como pedras que vivem, sois edificados casa espiritual para serdes sacerdócio santo, a fim de oferecerdes sacrifícios espirituais agradáveis a Deus por intermédio de Jesus Cristo." Os sacrifícios eram prestados pelos sacerdotes e eram materiais; precisavam ser agradáveis a Deus para que fosse aceito por Ele; o mediador era o próprio animal sacrificado que figurava o Messias. Hoje o culto é espiritual, mas precisa ser agradável a Deus e é realizado pela mediação do Cordeiro de Deus, Jesus Cristo. Quando cultuamos a Deus através de Jesus Cristo, exercemos o sacerdócio que nos foi delegado.
O segundo aspecto do sacerdócio do crente está no sentido da intermediação entre pessoas e Deus. Não como era a função do sacerdote de Israel, que recebia do povo o animal a ser sacrificado e o apresentava a Deus, como um mediador aparentemente direto, mas em uma intermediação indireta, como veículos de uma mensagem que leva ao perfeito e único Mediador, Jesus Cristo. Observe-se as palavras do apóstolo em 1Pedro 2:9: "Vós, porém, sois nação eleita, sacerdócio real, nação santa, povo de propriedade exclusiva de Deus, a fim de proclamardes as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz." O crente faz parte do povo de Deus e exerce um sacerdócio real com a finalidade de proclamar, pregar, anunciar, as virtudes do nosso Salvador, Jesus Cristo. Ou seja, exercemos um sacerdócio mediador no sentido de veicularmos a mensagem que pode levar o homem a Cristo que, por sua vez, é o único que pode levar o homem a Deus.
Estes, e somente estes, são os aspectos do nosso sacerdócio como crentes em Jesus Cristo.
terça-feira, 30 de setembro de 2014
O QUE É O INFERNO
Para sabermos o que é o inferno
é necessário que nos esvaziemos de todos os conceitos humanos que, de alguma
maneira, vieram até nós e ficaram em nossas mentes. Alguns dos conceitos mais
comuns são: “O inferno é aqui mesmo”; “o inferno é um estado de espírito”; “o
inferno é o isolamento completo”; “o inferno é a falta de Deus”; “o inferno não
existe e é apenas uma figura de linguagem”; “o inferno é a extinção da alma”.
Tais conceitos nem sempre estão isolados em pensamentos de algumas pessoas
individualmente, porém alguns fazem parte de doutrinas religiosas e, algumas,
que se dizem cristãs. Por isso estão cada vez mais penetrando igrejas batistas
e arregimentando muitos adeptos que, por sua vez, as propagam, minando cada vez
mais a nossa fé em Jesus Cristo. Digo isto porque se não crermos em algo que
Jesus ensinou, fatalmente entramos pelo caminho da incredulidade em suas
palavras.
Vejamos, então, o que Ele
ensinou a respeito do que seja o inferno.
O INFERNO É UM LUGAR
O Senhor Jesus deixou muito claro que o inferno é um lugar.
Na parábola do rico e Lázaro, o rico é encontrado em um lugar (Lucas 16:23),
inclusive tendo a visão de outro lugar ao longe, onde estava Lázaro. É um lugar
onde pessoas são lançadas (Mateus 18:9). Jesus nunca ensinou que o inferno é um
estado de espírito, nem sofrimentos pelos quais as pessoas passam já neste
mundo, porém que é um lugar.
1. É um lugar que foi preparado para o diabo e seus anjos – Mat
25:41. O inferno não foi preparado para o ser humano. Quando Deus fez o homem
fez para que vivesse eternamente. O pecado tornou o ser humano semelhante ao
diabo, no sentido da soberba, do desprezo à palavra de Deus e da condenação ao sofrimento
eterno. Por isso, ao passar pela morte, o ser humano é lançado no inferno.
2. É um lugar de muito sofrimento – Interessante pessoas brincarem
com a realidade do inferno, ou não se importarem com a possibilidade de irem
para o inferno. Jesus sempre ensinou que é um lugar de sofrimento eterno. Observe-se,
por exemplo:
a) Há fogo eterno no inferno,
um fogo que nunca se apaga (Mat 5:22; Marcos 9:45: Mat 25:41). O ensinamento de
Jesus é literal. Ele fala de fogo mesmo, de fogo que queima e não há como
relativizar o que Ele definiu.
b) Há sofrimento para a alma e
para o corpo (Mat 10:28). Esta palavra de Jesus demonstra que o
sofrimento não é somente da alma, porém que é um sofrimento físico também. Além
disso, demonstra que é um lugar onde o ser humano é lançado em sua formação
completa, corpo e alma.
c) Há tormento – Lc
16:23,24,25. No versículo 23 a palavra grega utilizada é basanos que significa ser
torturado, porquanto originalmente se referia a um instrumento de tortura;
nos versículos 24 e 25, a palavra grega utilizada é odunao, que faz referência a dor
intensa, extrema agonia. Isto
significa que o fogo é literal e, como é natural do fogo, causa tortura, dor
intensa, extrema agonia. O tormento no inferno é tão grande que muitas vezes,
no Novo Testamento, é chamado de geena,
uma denominação do vale de Hinon, lugar onde o povo de Deus havia construído
altares a Moloque, deus pagão, e onde queimavam seus filhos, lançando seus
corpos queimados no fundo do vale, e onde, também, o povo passou a jogar tudo
quanto era espécie de lixo, inclusive corpos de animais mortos.
3. O inferno é o
lugar da segunda morte. Em Apocalipse 21:8 lemos: “Mas, quanto aos
medrosos, aos incrédulos, e aos imundos, e aos homicidas, e aos fornicadores, e
aos feiticeiros, e aos idólatras e a todos os mentirosos, a sua parte será no
lago que arde com fogo e enxofre, o que é a segunda morte.” É o lugar onde as
pessoas sofrem as agonias da morte por toda a eternidade, onde são encerradas,
nos lugares mais profundos do universo, por toda a eternidade. E os que
enfrentam a segunda morte são aqueles que não são purificados dos seus pecados, nem regenerados para uma nova vida em
Cristo. Ou seja, aqueles que não creram em Jesus Cristo como o Salvador, o Filho
de Deus que concede a vida eterna. Não creram porque foram medrosos, ou porque
não colocaram a sua fé em Jesus Cristo, impedidos por escolherem continuar com
a natureza de pecado, tendo prazer nos sentimentos ou nas práticas pecaminosas.
4.
O inferno é um lugar sem saída. Em Lucas 16:26 lemos o
ensinamento de Jesus: “E, além
disso, está posto um grande abismo entre nós e vós, de sorte que os que
quisessem passar daqui para vós não poderiam, nem tampouco os de lá, passar
para cá.” O ser humano criou uma fantasia religiosa
pensando que há possibilidade de alguém sair do inferno e ir para o céu. Porém
Jesus ensinou que isso é impossível. Uma vez lançado no inferno, encerrado no
inferno para sempre. Não há possibilidade de absolvição para quem foi lançado no
inferno. Se alguém desejar ser absolvido, tem que ser enquanto está vivo,
enquanto não enfrenta a primeira morte, através do reconhecimento de pecado, do
arrependimento e da entrega de vida a Jesus Cristo como único Salvador.
O INFERNO É POVOADO
POR PESSOAS QUE NÃO CRÊEM EM JESUS CRISTO
Em João 3:18 Jesus declara que quem não crê no Filho já
está condenado. Em Mateus 25:41 ensina que os condenados são enviados para o
fogo eterno, para o inferno; e, em Mateus 23:33 exclamou aos que o rejeitavam:
“Serpentes, raças de víboras, como escapareis da condenação do inferno?” Isto significa que os que não creem em Jesus
Cristo como Salvador são as pessoas que povoam o inferno. Não há crentes em
Cristo no inferno, porque os que creem nEle não são condenados. Não há como se
pensar que o inferno é um lugar comum, para onde vão tanto crentes quanto não
crentes em Jesus Cristo.
É UM LUGAR EM QUE
PESSOAS SÃO LANÇADAS POR DEUS
Quase
que naturalmente podemos pensar que o diabo é quem lança pessoas no inferno.
Não é. A Bíblia não ensina assim. Ele influencia, tenta, trabalha para que
pessoas percam seus padrões morais, acima de tudo, para que não cheguem à fé em Jesus
Cristo como Salvador. Porém, quem lança no inferno é o próprio Deus. Quando
lemos somente o texto de Lucas 12:4,5 temos a impressão de que Jesus estava
falando a respeito do diabo. No entanto, quando lemos “Ao som da sua queda, fiz tremer
as nações, quando o fiz descer ao
inferno com os que descem à cova...” em Ezequiel 31:16,
e “Porque, se Deus não perdoou aos anjos que
pecaram, mas, havendo-os lançado no
inferno, os entregou às cadeias da escuridão, ficando reservados para o
Juízo”. No final de todas as coisas, no juízo final, o diabo será lançado no
inferno, e será Cristo quem fará isso, aquele que tem a chave do inferno (Apoc
1:18).
CONCLUSÃO
Não sabemos onde, mas o inferno é um lugar que é o
oposto do céu. O céu é maravilhoso, o inferno é horrível; no céu há paz
perfeita, no inferno há sofrimento eterno; no céu há consolações, no inferno há
tormentos; no céu há a presença de Deus e de seu Filho Jesus Cristo, no inferno
haverá a presença do diabo e seus anjos; no céu os salvos estão e estarão com o
Salvador, no inferno os condenados estão e estarão com o tentador.
Certamente que é de bom senso escolher ir para o céu
e nunca ir para o inferno. É de bom senso entregar a vida a Jesus Cristo,
aquele que leva para o céu e rejeitar completamente as influências do tentador
e a vida de pecado que é inerente a todos aqueles que não são regenerados por
Jesus Cristo.
domingo, 21 de setembro de 2014
O QUE É O CÉU?
Muita coisa tem sido dita a respeito do que seja o céu e o inferno, como, por exemplo, que céu é somente um estado de espírito, que seria o último estágio de desenvolvimento espiritual do ser humano, ou que o céu será aqui mesmo em uma terra transformada, ou que o céu não existe, ou, ainda, que o céu é o universo e que os que vão para o céu passam a habitar em outros planetas. Quanto ao inferno, que seria aqui mesmo, ou que seria um tormento espiritual, ou que seria o tormento de arrependimento eterno sem possibilidade de escapar do sentimento de culpa, ou que seria um lugar de isolamento pessoal sem a convivência com outras pessoas. Há os que dizem que no inferno não existe o tormento das chamas eternas e há os que dizem que o inferno não existe, que morrendo uma pessoa, simplesmente deixa de existir.
No entanto, todos os pensamentos a respeito do que seja céu e inferno são de origem humana, de pessoas como nós, que, por estarem vivas, não podem saber de fato como seria o céu ou o inferno. Há os que dizem que já foram ao inferno e voltaram, ou os que dizem ter tido visões do céu, mas já vimos no estudo anterior que o céu e o inferno são lugares definitivos, que não há intercâmbio entre a realidade dos vivos e as realidades dos que já morreram.
Precisamos, então, estudar o que a Bíblia nos ensina a respeito, principalmente o que o Senhor Jesus deixou ensinado para nós, porquanto Ele é o Filho de Deus, é o único que veio do céu e voltou para o céu, é aquele em quem foram criadas todas as coisas, é o agente de toda a criação (João 3:13; João 1:3; Colossenses 1:16)
1. O céu é um lugar
Jesus se referiu ao céu e ao inferno através de várias expressões, como vimos no estudo anterior. Mas, também, sempre se referiu como sendo lugares para onde pessoas são levadas ou se encontram após a morte. Pessoas completas, com corpo e alma (sobre isto estudaremos mais adiante). Por exemplo, ao ensinar sobre a necessidade do novo nascimento (João 3:5), disse a Nicodemos: “Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer da água e do Espírito não pode entrar no Reino de Deus.” Ainda na sua palavra a Nicodemos (João 3:13), disse: “Ninguém subiu ao céu, senão o que desceu do céu, o Filho do homem, que está no céu.” E, na parábola do rico e Lázaro (Lucas 16:22) Jesus disse que quando Lázaro morreu foi levado para o seio de Abraão. Na revelação do Apocalipse a João encontramos o Senhor Jesus Cristo convidando João a subir e entrar pela porta no céu para que visse o que o Senhor lhe mostraria (Apocalipse 4:1). Em Marcos 13:32 encontramos Jesus falando a respeito do dia do juízo final e afirmando que nem mesmo os anjos que estão no céu sabem daquele dia e hora. Voltando a Apocalipse 4, vamos encontrar a visão de João, arrebatado em espírito ao céu, vislumbrando o trono de Deus, o Cordeiro de Deus, a multidão dos salvos e tantas outras coisas. Conforme os ensinamentos bíblicos e, principalmente, os ensinamentos de Jesus, não há dúvida de que o céu é um lugar.
2. O céu é o lugar onde Deus está
A onipresença de Deus não é uma presença universal constante e obrigatória, porém a capacidade e o poder de estar em qualquer tempo nos lugares onde desejar estar. Pensar que Deus está em todos os lugares, em todos os seres, como se Ele habitasse na sua própria criação universal, é dar lugar a uma doutrina chamada panteísmo que, inclusive, abarca o naturismo. A tendência atual de se adorar a natureza é originária do pensamento panteísta.
Deus tem o seu lugar de onde governa todo o universo e este lugar é o céu. Em Isaías 66:1 lemos: “Assim diz o Senhor: o céu é o meu trono...” Em Mateus 23:22 lemos de Jesus ensinando: “E o que jurar pelo céu jura pelo trono de Deus e por aquele que está assentado nele.” Alguns dizem que é uma referência figurada, porquanto a expressão utilizada em grego e traduzida por “céu” é ouranos cujo significado seria o espaço arqueado do firmamento onde estão as nuvens, ou a atmosfera que nos é visível, ou, ainda, o universo. No entanto percebemos claramente que Jesus se refere ao céu como o firmamento em alguns ensinamentos (p.ex em Mat 24:30 e 35 e outros), mas, também, se refere ao céu com um lugar onde Deus está e de onde governa todas as coisas. Jesus tinha tanta convicção da presença do Pai no céu que ao orar, levantava seus olhos ao céu (ver p.ex João 17:1). Quando uma pessoa deixa este mundo e vai para o céu, vai para o mesmo lugar onde Deus está; daí ter que ser uma pessoa regenerada, perdoada e purificada de seus pecados, temente a Deus, que ame o Filho de Deus.
3. O céu é o lugar onde o Filho de Deus está.
Antes de morrer e ressuscitar, Jesus afirmou que ia para o Pai (João 16:16); em Marcos 14:62 lemos de Jesus afirmando que viria do céu juntamente com o Pai. Voltando a João 3:13, encontramos Jesus afirmando que está no céu; e o apóstolo Pedro declarou: “o qual está à destra de Deus, tendo subido ao céu (1Pedro 3:22). O Senhor Jesus Cristo ressuscitou e subiu ao céu, retornando para o Pai, assentando-se à destra do trono de Deus.
4. O céu é o lugar onde os salvos estão
Aqui chegamos ao ponto principal de discussões entre segmentos de grupos religiosos que se denominam cristãos. No estudo anterior mostramos que os que morrem vão diretamente para o céu ou para o inferno. No entanto, surgem diversas opiniões a respeito de quando os salvos vão para o céu e qual o estado físico e espiritual de permanência no céu. Encontramos ensinamentos claros e outros subtendidos na Bíblia.
a) Os salvos estão conscientes. Não estão dormindo, em uma espécie de estado de catalepsia. Em Apocalipse 15:3 lemos dos salvos cantando um cântico específico e conhecido, o cântico de Moisés e, também, o cântico do Cordeiro, e, ainda, diziam das grandes e maravilhosas obras de Deus. No episódio da transfiguração de Jesus (Lucas 9:30) encontramos Elias e Moisés conversando com Jesus a respeito das coisas futuras que aconteceriam com o Senhor.
b) Os salvos estão como seres completos. O ser humano é composto de corpo e alma, de uma parte material e outra espiritual. Há os que pensam e ensinam que somente o espírito do salvo vai para o céu, ficando aguardando o dia da ressurreição final quando, então, receberia o seu corpo glorificado e retornaria para o céu com um ser completo. Na realidade a Bíblia não ensina assim. Esta ideia tem fundamento em uma interpretação errada do que seria a ressurreição final, e isto é algo que discutiremos em um de nossos estudos futuros. Quando o crente morre o seu corpo terreno perde a vida, se corrompe e volta a ser pó. Foi gerado aqui e fica aqui. Mas, o seu espírito que foi dado por Deus, volta para Deus porém, com um corpo glorificado. O corpo glorificado, ou o corpo celestial (como afirma existir o apóstolo Paulo em 1Cor 15:40) é recebido no momento seguinte à morte. Este pensamento é baseado em textos bíblicos que mostram salvos sendo vistos no céu ou, no caso da transfiguração, em uma realidade celestial. Podemos utilizar alguns textos que já utilizamos até agora, tais como as visões dos salvos no céu no livro do Apocalipse.
E, em que nos baseamos para afirmarmos que se os salvos são vistos é porque já têm corpos glorificados? No fato de que espíritos não têm forma e, por isso, não são visíveis, nem palpáveis. Esta é, inclusive, uma afirmação do Senhor Jesus aos seus discípulos (Lucas 24:39). O dito de que espíritos são visíveis é superstição, é pensamento humano.
Alguns argumentam que os salvos só receberão seus corpos quando Cristo voltar e, então, ressuscitarem. No entanto, como veremos em estudo adiante, no dia que Cristo voltar os salvos ressurgirão com Ele, o que é diferente de ressuscitar.
c) Os salvos estão em paz perfeita. Sem qualquer tipo de sofrimento, gozam da paz perfeita. Não há dor no céu. Nem lágrimas, nem pranto, nem clamor, nem morte. Isto significa paz (Apoc 21:4).
d) Os salvos estão em um lugar perfeito. Perfeito no sentido moral, perfeito no sentido religioso, perfeito no sentido físico. No céu só entram os que foram purificados de seus pecados. Não entram os impuros (cães), os feiticeiros, os fornicadores, os homicidas, os idólatras e todo aquele que ama e pratica a mentira (Apoc 22:15).
CONCLUINDO
1. Deixar de crer no céu é deixar de crer no que Jesus Cristo ensinou e, ao mesmo tempo, é deixar de ter fé. Se a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam, como teremos fé se não tivermos esperança? Fé somente para as coisas deste mundo? Isto nos faria os mais miseráveis dos homens (1Coríntios 15:19). É exatamente por isso que Satanás procura enganar a humanidade, inclusive os crentes, a respeito do que seja o céu. E isto ele faz utilizando muitos argumentos.
2. Sendo o céu o lugar onde Deus está, temos uma antevisão de quão maravilhoso é e de quanto poder há neste lugar. Um lugar onde está o trono de Deus, de seu Filho e onde todas as maravilhas que fazem parte da natureza de Deus e são originadas dEle estão presentes.
terça-feira, 1 de julho de 2014
quinta-feira, 3 de abril de 2014
O JEJUM
Pr Dinelcir de Souza Lima
Nos dias atuais tem sido dada uma ênfase muito grande entre os chamados evangélicos a um comportamento religioso que se convencionou chamar de jejum. A prática tornou-se motivo de proclamações em púlpitos ou de palestras pessoais e de anúncios em grandes veículos de comunicação que incentivam e conclamam pessoas a dedicarem noites, dias, semanas ou metades de dias ao jejum, sempre sendo apontado como um excelente meio de crescimento espiritual, conquista de poder pessoal e benefícios divinos. Ultimamente tem sido divulgado até como se fosse eficiente para a salvação de povos e sociedades de um modo geral. Tornou-se comum encontrarmos pessoas se vangloriando de serem muito espirituais e, até mesmo mais espirituais que outras pessoas, por praticarem sistematicamente o jejum. A prática deste tipo de sacrifício pessoal se tornou quase que uma obrigação para quem deseja alcançar algum tipo de bênção.
No entanto, seria mesmo uma verdade bíblica que o jejum nos possibilita maior espiritualidade, que nos torna mais santos, ou que faz com que Deus ouça melhor nossas orações? Ficar sem ingerir alimentos daria ao servo de Cristo maior poder espiritual? Os cristãos deveriam incentivar tais costumes criando grandes movimentos de jejum nas igrejas? São questões que podem e precisam ser discutidas e esclarecidas à luz dos ensinamentos de Jesus, que é o autor da nossa salvação e o nosso Senhor, e à luz de todo o contexto bíblico.
No entanto, seria mesmo uma verdade bíblica que o jejum nos possibilita maior espiritualidade, que nos torna mais santos, ou que faz com que Deus ouça melhor nossas orações? Ficar sem ingerir alimentos daria ao servo de Cristo maior poder espiritual? Os cristãos deveriam incentivar tais costumes criando grandes movimentos de jejum nas igrejas? São questões que podem e precisam ser discutidas e esclarecidas à luz dos ensinamentos de Jesus, que é o autor da nossa salvação e o nosso Senhor, e à luz de todo o contexto bíblico.
domingo, 23 de março de 2014
A FAMÍLIA E A IGREJA
Pr. Dinelcir de Souza
Lima
Sempre encontramos na Bíblia uma estreita relação
entre famílias e povo de Deus e é relativamente fácil compreendermos a razão
disso: Deus instituiu a família como primeira célula da sociedade humana; a
igreja é composta de seres humanos (regenerados, porém humanos) logo a igreja é
composta, em sua grande parte, de famílias.
Neste estudo não vamos nos prender a exemplos de
laços familiares com a formação do povo de Deus no Antigo Testamento, porquanto
alguém poderia argumentar que naquele tempo ainda não existia a igreja de
Cristo. Por isso vamos nos deter em exemplos e ensinamentos contidos somente no
Novo Testamento.
JESUS CRISTO PRESTIGIOU A
FAMÍLIA
Jesus é o Senhor da igreja. Ele prestigiou a família
durante o seu ministério no mundo através de atos e ensinamentos que são
irrefutáveis. Enumeramos alguns.
1. Jesus nasceu no seio de uma família. Às vezes fico a pensar em
como Deus poderia ter enviado Jesus fazendo com que ele nascesse de uma jovem solteira,
já que não nasceu através da fecundação natural entre a semente do homem e a da
mulher. Não houve a participação de José na geração de Jesus em Maria. Ele foi
gerado pelo Espírito Santo. No entanto Deus o colocou em uma família e ele era
perfeitamente identificado com a sua família (Mr 3.32; Lc 4.22; Jo 1.45; 6.42).
Se Jesus nascesse de uma jovem solteira nunca seria benquisto na sociedade
judia. Seria olhado como alguém que teria nascido em situação irregular,
perante Deus e a sociedade. No entanto, Deus valorizou a família ao fazer Jesus
nascer e crescer no seio de uma família. Valorizou o que ele próprio instituiu.
Se Jesus nasceu e cresceu dentro de uma família, fica difícil compreender uma
pessoa que se diga cristã, que seja membro de uma igreja de Cristo, que não
valorize essa instituição divina, primordial para o crescimento espiritual e
social, e é fácil compreender que precisamos valorizá-la, envidando todos os
esforços para preservá-la.
2. Jesus praticou atos que valorizaram as famílias. Os quatro
Evangelhos registram seus atos, sendo que o primeiro registro que temos é o de
quando ficou em Jerusalém, ainda menino, discutindo no templo com os doutores
da Lei. Convocado pelos pais para retornar para casa com eles, após argumentar
que era necessário cuidar dos negócios do Pai celestial, poderia ter dito que
continuaria ali. Porém, deixou de lado o que estava fazendo e os obedeceu,
seguindo-os de volta (Lc 2.40-51). Outros exemplos são a sua participação nas
festividades de um casamento, onde realizou o seu primeiro milagre (Jo 2.1-12);
a frequência à casa de uma família que era sua amiga, a de Lázaro (Lc 10.38; Jo
11.5); a frequência à casa de Pedro, em uma das ocasiões curando a sogra dele (Lc
4.38); o da ressurreição do único filho da viúva de Naim, restituindo àquela
mulher o bem mais precioso que possuía; e, estando à morte na cruz, se
preocupou em deixar sua mãe com um filho que cuidasse dela, passando sua
filiação a João (Jo 19.26,27).
3. Jesus deixou ensinamentos preciosos a respeito de laços familiares.
No seu discurso que ficou conhecido como “O Sermão da Montanha”, proferido logo
no início do seu ministério, Jesus deixou ensinamentos claros a respeito da
convivência dos cônjuges (Mt 5.31,32); em outra ocasião, criticou os fariseus
porque não honravam a seus pais através do sustento, encontrando desculpas
religiosas (Mr 7.9-13); e proferiu, novamente, ensinamentos a respeito do
relacionamento conjugal (Mt 19.3-12).
É fácil assimilarmos a verdade
de que se aquele que é a cabeça da igreja prestigiou tanto a família, é lógico
que seu corpo, a igreja, também prestigie.
A IGREJA NASCEU E
CRESCEU EM AMBIENTES FAMILIARES
Os Evangelhos e o livro de Atos
dos Apóstolos registram alguns acontecimentos que mostram como a igreja de
Cristo nasceu e cresceu em ambientes familiares, dos quais destaco alguns.
1. Lucas 22.7-14 (e textos sinóticos), onde está registrada a
instituição da Ceia pelo Senhor Jesus Cristo, como um memorial do Novo
Testamento , em um cenáculo (que era o terraço superior de uma casa) emprestado
por um chefe de família.
2. Atos 1.13,14. Mostra os discípulos de Jesus, logo após a sua
subida aos céus, reunidos também em um cenáculo, onde perseveravam congregados,
unânimes, em oração. Provavelmente tenha sido naquele lugar que aconteceu a
manifestação do Espírito Santo, registrada em Atos 2.1-4, anunciada por Jesus
como sendo o batismo do Espírito Santo para a sua igreja.
3. Atos 16.13-15. Narra a conversão, na cidade de Filipos, de uma
mulher com toda a sua casa e o convite insistente em hospedar o apóstolo Paulo
e sua comitiva missionária.
4. Atos 16.23-34. Ainda na cidade de Filipos, preso, o apóstolo
Paulo anuncia o evangelho ao carcereiro, que se converte com toda a sua família
e recebe o apóstolo em sua casa, onda a família toda se alegra com a presença
do servo de Cristo.
5. Atos 18.1-8. O texto registra o apóstolo Paulo conhecendo uma
família temente a Jesus, em Corinto, e indo morar em seu lar. Encontramos,
também, o registro do apóstolo pregando na casa de um homem que morava ao lado
de uma sinagoga e da conversão do chefe da sinagoga e de toda a sua família.
6. Atos 20.6-12 registra a estada do apóstolo Paulo em Filipos,
reunido com a igreja daquela cidade, em uma casa de família, pregando e
participando de uma comemoração da Ceia.
E poderíamos citar tantos outros textos, como, por
exemplo, o da conversão do centurião Cornélio e toda a sua família ou, ainda, os
que registram a ajuda do casal Áquila e Priscila no ministério do apóstolo
Paulo. Sem dúvida alguma o surgimento e o crescimento da igreja de Cristo estão
intimamente ligados a laços e situações familiares.
OS APÓSTOLOS DE JESUS, FUNDAMENTOS DA IGREJA, DEIXARAM ENSINAMENTOS
SOBRE A FAMÍLIA
Pelo menos dois desses apóstolos deixaram
ensinamentos preciosos sobre comportamentos familiares. Os do apóstolo Paulo estão
registrados em Efésios 5.22-33; 6.1-4 e Colossenses 3.18-21; e os do apóstolo
Pedro em 1Pedro 3.1-7. Neles vamos encontrar ensinamentos preciosos a respeito
do relacionamento dos maridos com as esposas, das esposas com os maridos, dos
pais com os filhos e dos filhos com os pais. Ensinamentos de grande importância
para a boa convivência familiar e que envolvem, também, a vida cristã.
CONCLUINDO
Estudando o Novo Testamento percebemos que não há
como separar a importância da família e da igreja de Cristo. Há uma interação
constante e natural. A igreja começou em lares convertidos ao Senhor Jesus e
continuou crescendo sob os cuidados de pessoas com suas famílias e com a
conversão de famílias inteiras através da pregação do evangelho de Jesus
Cristo. Essa interação constante e natural fez com que os apóstolos deixassem
ensinamentos que, se observados, trazem o equilíbrio da família e,
consequentemente, da igreja. Famílias equilibradas, tementes a Deus, obedientes
aos princípios divinos, formam igrejas também equilibradas e tementes a Deus.
Cabe a nós, servos de Cristo, sermos obedientes aos ensinamentos de Cristo e
seus apóstolos e perseverarmos nesses ensinamentos, a fim de que as igrejas de
Cristo cresçam fortes e atuantes na sociedade que vivemos.
sexta-feira, 21 de março de 2014
A FAMÍLIA INSTITUÍDA POR DEUS
Pr Dinelcir de Souza Lima
O
que é a família? Ou, como deve ser composta uma família? Nos dias atuais,
principalmente em nosso país, está cada vez mais difícil de definir família.
Políticos e profissionais de comunicação, principalmente da TV de maior
audiência em nosso país, se empenham em deteriorar o conceito de família e,
consequentemente, fazer desaparecer a família como foi instituída por Deus.
Há
um projeto de lei tramitando no Congresso que, dentre outras aberrações, tenta
retirar dos registros de nascimento as expressões “pai” e “mãe”, isto porque a
“justiça” brasileira já está começando a permitir que dois homens ou duas
mulheres adotem filhos como se fosse um casal, em uma demonstração de loucura
total, já que casal é a união entre um macho e uma fêmea.
A
mídia incentiva isso e muitas outras deturpações da família, principalmente
através de telenovelas que insistem em inculcar verdadeiras aberrações na mente
do povo como se tudo fosse muito natural. A TV criou e divulga insistentemente
o conceito de “diferente, mas normal” e difunde coisas que não são naturais
como se fossem apenas diferentes. Não é normal uma criança ser criada por “um
casal” de dois homens ou por duas mulheres. É diferente e anormal.
Como
a família é o primeiro grupo comunitário de uma sociedade, a célula matricial,
os iníquos tentam levar a iniquidade até a totalidade da sociedade,
literalmente detonando a família. Crianças criadas e instruídas por pessoas de
costumes fora dos padrões divinos e, portanto, pecaminosos, dificilmente
conseguirão romper os costumes e ideias adquiridas e se converter a Jesus
Cristo. Além disso, em pouco tempo haverá uma sociedade totalmente corrompida
pelo pecado e a convivência dos crentes em Cristo, a pregação do evangelho da
salvação, será cada vez mais difícil.
No
fundo espiritual de tudo isto está uma atividade das hostes espirituais
malignas para levar cada vez mais pessoas à perdição.
O
que precisamos fazer? Primeiramente precisamos conhecer com convicção bíblica o
padrão de família instituído por Deus.
I. A FAMÍLIA
FOI INSTITUÍDA POR DEUS A PARTIR DE UM MACHO E DE UMA FÊMEA – Gênesis
1:27,28;2:18.
Deus
criou o ser humano como um macho e uma fêmea. Não criou dois machos, nem criou
duas fêmeas, nem criou um hermafrodita. O próprio Deus disse que não era bom
que o homem estivesse só e, por isso, criou uma mulher para ele. Não criou
outro homem. Há pouco tempo “correu” na internet um desenho de duas tomadas
elétricas, uma para encaixar e outra para ser encaixada e, acima do desenho,
vinha a seguinte frase: “Deus criou um macho e uma fêmea, o que passa disso é
gambiarra.” Achei interessante porque, realmente, uma gambiarra é uma
adaptação. O que o ser humano tem criado há muito tempo, são adaptações
grotescas e antinaturais do que Deus instituiu.
Depois
de criar o ser humano, Deus os abençoou como macho e fêmea e, tendo abençoado,
disse que frutificassem (produzissem filhos) e se multiplicassem enchendo toda
a terra. Os filhos são o complemento da família e, conforme o que Deus criou,
devem ser formados a partir de um casal. Foi assim que a terra foi povoada e é
assim que o ser humano continuará se multiplicando. Não será através do
relacionamento de dois homens ou de duas mulheres que os filhos serão gerados,
mas será sempre a partir de um homem e uma mulher, mesmo que através de
inseminações artificiais.
II. A FAMÍLIA FICOU
RESPONSÁVEL POR GUARDAR O MUNDO DO MAL
– Gen. 2:15; 3:1-7
Depois
de plantar o jardim do Éden, Deus colocou o ser humano ali para lavrá-lo e
guardar. Mas, guardar de que? O mal ainda não estava no mundo, aparentemente,
não havia de que guardar o jardim. No entanto o mal já estava no universo e
havia a possibilidade de entrar no mundo através do próprio ser humano. Havendo
Deus criou o ser humano como homem e mulher, e ordenado que produzissem filhos,
compreendemos, por lógica, que a guarda do mundo contra o mal estava na
responsabilidade da família.
Infelizmente
a família falhou e o mal entrou através do primeiro casal e se propagou através
de seus filhos também. Um filho matou seu próprio irmão, um descendente matou
um jovem que pisou seu pé, a violência e a imoralidade sexual tomou conta da
terra até que Deus teve que destruir toda a humanidade, preservando a vida
somente de uma família, a de Noé. Novamente Deus colocava na família a
responsabilidade de guardar o mundo do mal. Mas logo um filho desonrou a seu
pai e teve que ser amaldiçoado, dando origem a povos distanciados de Deus, os
cananitas, que povoaram a terra de Canaã e aos quais Deus, depois, mandou que
fossem destruídos.
As
famílias cristãs precisam ser constituídas como Deus estabeleceu; as famílias
cristãs precisam estar atentas para se guardarem do mal. Não podem se deixar
levar pelo caminho dos ímpios, que se embruteceram e se tornaram loucos (Jeremias
10:2,8).
III. A FAMÍLIA É
RESPONSÁVEL PELA GUARDA DOS MANDAMENTOS DE DEUS – Deut 6:1-9
O mal entrou no mundo, o mundo se deteriorou
tornando-se má a imaginação do homem desde a meninice (Gen 8:21) e nada mais
pode ser feito, a não ser os crentes se
guardarem e pregarem o evangelho da salvação com a finalidade de que alguns
sejam salvos (Judas 20-23).
Os
crentes precisam se guardar individualmente, caso sejam isolados das famílias
como salvos por Jesus Cristo, mas precisam se guardar como famílias se estão em
família convertida ao Senhor Jesus Cristo. Os que desejam constituir família
precisam fazer propósitos de constituírem dentro dos princípios de Deus, com a
finalidade de serem realmente felizes e de fazerem parte de famílias que
guardem os mandamentos de Deus.
Deus ordenou que seus mandamentos
fossem guardados e o fossem pela família. Disse ao seu povo: “Para que temas ao
Senhor teu Deus, e guardes todos os seus estatutos e mandamentos, que eu te
ordeno, tu e teu filho, e o filho de teu filho, todos os dias da tua vida, e
que teus dias sejam prolongados.” Toda a família precisa ser levada a amar ao
Senhor Deus de todo o coração, e de toda a alma, e de todas as forças. As
palavras ordenadas por Deus precisam ser inculcadas
nos filhos em todo o tempo da convivência familiar, e isto pelos pais e avós. Em Efésios 6:4 lemos que os pais devem criar seus filhos na
disciplina (paideia no grego) e
admoestação do Senhor.
sexta-feira, 14 de março de 2014
O DÉCIMO SEGUNDO APÓSTOLO
Quem teria
sido o décimo segundo apóstolo de fato, Matias ou Paulo? Há os que defendem e
ensinam que Matias foi o discípulo que ocupou o lugar de Judas. Baseiam-se no
texto de Atos 1:15-26, e ficam a estabelecer raciocínios para não descartar o
apostolado de Paulo. Um dos argumentos é o de que Paulo teria sido apóstolo somente
para os gentios.
No entanto a
crença que Matias seria o décimo segundo apóstolo gera muitas dificuldades
quanto a realidades do apostolado e, até mesmo, quanto a aspectos teológicos e
doutrinários. Enumero abaixo alguns questionamentos.
1. A escolha de Matias foi uma iniciativa
de Pedro (v. 15-20). Apesar de citar as Escrituras a respeito da
necessidade de outro tomar o bispado de Judas, tomou para si a prerrogativa de
fazer daquele tempo o momento da escolha. É necessário lembrarmo-nos que os
apóstolos eram de Jesus Cristo e que foi ele próprio quem os escolheu (Marcos
3.14).
2. Os critérios de escolha foram
estabelecidos por Pedro (v. 21,22). Ninguém sabe quais critérios o Senhor
Jesus estabeleceu para, dentre seus discípulos, escolher doze homens e ele
próprio os chamar de apóstolos. Além disso, Pedro estabeleceu a necessidade de
uma pessoa ser escolhida com a finalidade de ser, juntamente com os outros
apóstolos, testemunha da ressurreição de Jesus. Mas, quando escolheu os doze, o
Senhor os nomeou para “estar com ele e os mandasse a pregar; e para que
tivessem o poder de curar as enfermidades e expulsar os demônios”. Um apóstolo
de Jesus não era apenas uma testemunha da ressurreição dele.
3. O meio de receber a resposta da oração
dirigida ao Senhor foi escolhido pelos discípulos (v. 24-26). Lucas não
registra quem tomou a iniciativa de lançar sortes, mas certamente não foi o
Senhor Jesus. A iniciativa de Pedro era precipitada e a iniciativa para receber
a resposta também o foi. Estava fora do padrão de oração ensinada pelo Mestre: “seja
feita a tua vontade e não a nossa”.
4. Crer que a iniciativa de Pedro foi acertada
corrobora com a crença da Igreja Católica de que Ele foi o primaz entre os
apóstolos e que tomou o lugar de Cristo na terra. Ou seja, corrobora com a
crença de que a Igreja de Cristo teve um Papa e que outros, através dos tempos,
seriam seus sucessores como representantes diretos de Cristo no mundo.
5. Crer que Matias teria sido o décimo
segundo apóstolo cria dificuldades em se compreender o texto de Apocalipse
21:14. “A muralha da cidade tinha doze fundamentos, e estavam sobre estes
os doze nomes dos doze apóstolos do Cordeiro.” O texto limita o número de
apóstolos a doze. Coloca-os como fundamentos da muralha da cidade celestial. Qual
o nome que sobraria, o de Paulo ou o de Matias? Um deles está de fora.
6. Crer que Matias teria sido o décimo
segundo apóstolo desmerece todos os ensinamentos de Paulo como sendo de um
apóstolo de Cristo. O Novo
Testamento está repleto de palavras do apóstolo Paulo que nos explicam o
evangelho de Jesus Cristo. As igrejas de Cristo durante séculos se firmaram em
seus ensinamentos. A Teologia Moderna tenta de todas as maneiras tirar o mérito
dos ensinamentos dele como sendo inspirados por Deus. Hoje já se fala na “Teologia
Paulina” como se fosse algo diferente e conflitante com os ensinamentos de
Cristo. Crer que ele não foi o décimo segundo apóstolo de Cristo é colaborar
com os adeptos da Teologia Liberal, cuja principal crença é a de que a Bíblia
não é a Palavra de Deus.
Finalizando,
eu creio que Paulo foi o apóstolo de Cristo. Sua chamada foi realizada pelo
próprio Senhor Jesus (Atos 9:1-18), e ele próprio testifica isso em suas
cartas, como, por exemplo, em Romanos 1:1 onde lemos: “Paulo, servo de Jesus
Cristo, chamado para apóstolo, separado
para o evangelho de Deus.” Ele não foi somente apóstolo aos gentios. Sempre
pregou o evangelho aos judeus, apesar de sempre ser perseguido por eles.
Escreveu cartas a crentes judeus e gentios porque cria que há um só povo de
Deus, os crentes em Jesus Cristo, o Filho de Deus.
sexta-feira, 26 de abril de 2013
O ESPÍRITO SANTO COMO AGENTE DE CONVENCIMENTO DO PECADO, DA JUSTIÇA E DO JUÍZO
Quando vemos a situação de degeneração espiritual e moral do mundo e lemos em João 16.8 que o Consolador convencerá o mundo do pecado, da justiça e do juízo, podemos ficar com duas dúvidas na mente:1) Considerando que o Consolador já veio e que o mundo não está convencido do pecado, da justiça de Deus e do seu juízo, teria Ele falhado em sua missão? 2) Ou Jesus teria errado em sua promessa?
Também podemos ficar confusos quanto as ações do Espírito Santo com vistas ao convencimento do mundo. Agiria por Ele só na consciência das pessoas com argumentos que levariam o mundo ao reconhecimento do pecado e se arrependeriam em suas totalidade?
Ao que parece muitos crentes hoje pensam assim e, deixando a pregação do evangelho de Jesus Cristo de lado, somente agem como servos de Cristo como se isso fosse o suficiente, já que o mundo será salvo pelo convencimento produzido pelo Espírito Santo.
No entanto nem o Consolador falhou em sua missão, nem Jesus errou em sua promessa, nem o convencimento se dá pela ação do Espírito Santo por si só na consciência das pessoas. E isto pode ser constatado através de um exame acurado do texto, tendo como base a análise do significado da expressão grega que foi traduzida por "convencerá".
Conforme Strong, James: Léxico Hebraico, Aramaico E Grego De Strong. Sociedade Bíblica do Brasil,) ελεγχω (elegcho) significa "sentenciar, refutar, geralmente com implicação de vergonha em relação à pessoa sentenciada por meio de evidências condenatórias; trazer à luz, expor, achar falta em; corrigir pela palavra; repreender severamente, ralhar, admoestar, reprovar; exigir prestacão de contas, mostrar para alguém sua falta, exigir uma explicação;corrigir pela ação, castigando, punindo."
Note-se que a expressão traz sempre a idéia de ações severas de repreensão, refutação, correção pela palavra, exigências, castigos e punições. Martinho Lutero, conforme Luther Bibel 1545 Die Gantze Heilige Schrifft. Sociedade Bíblica do Brasil, 1545; 2005, traduz ελεγχωpor repreender. A tradução, então, ficaria assim: "E, quando ele vier, repreenderá o mundo por causa do pecado, e da justiça e do juízo."
Examinando outros textos em que ocorre a palavra ελεγχω, podemos constatar que é sempre no significado de repreensão e condenação. Observe-se:
Também podemos ficar confusos quanto as ações do Espírito Santo com vistas ao convencimento do mundo. Agiria por Ele só na consciência das pessoas com argumentos que levariam o mundo ao reconhecimento do pecado e se arrependeriam em suas totalidade?
Ao que parece muitos crentes hoje pensam assim e, deixando a pregação do evangelho de Jesus Cristo de lado, somente agem como servos de Cristo como se isso fosse o suficiente, já que o mundo será salvo pelo convencimento produzido pelo Espírito Santo.
No entanto nem o Consolador falhou em sua missão, nem Jesus errou em sua promessa, nem o convencimento se dá pela ação do Espírito Santo por si só na consciência das pessoas. E isto pode ser constatado através de um exame acurado do texto, tendo como base a análise do significado da expressão grega que foi traduzida por "convencerá".
Conforme Strong, James: Léxico Hebraico, Aramaico E Grego De Strong. Sociedade Bíblica do Brasil,) ελεγχω (elegcho) significa "sentenciar, refutar, geralmente com implicação de vergonha em relação à pessoa sentenciada por meio de evidências condenatórias; trazer à luz, expor, achar falta em; corrigir pela palavra; repreender severamente, ralhar, admoestar, reprovar; exigir prestacão de contas, mostrar para alguém sua falta, exigir uma explicação;corrigir pela ação, castigando, punindo."
Note-se que a expressão traz sempre a idéia de ações severas de repreensão, refutação, correção pela palavra, exigências, castigos e punições. Martinho Lutero, conforme Luther Bibel 1545 Die Gantze Heilige Schrifft. Sociedade Bíblica do Brasil, 1545; 2005, traduz ελεγχωpor repreender. A tradução, então, ficaria assim: "E, quando ele vier, repreenderá o mundo por causa do pecado, e da justiça e do juízo."
Examinando outros textos em que ocorre a palavra ελεγχω, podemos constatar que é sempre no significado de repreensão e condenação. Observe-se:
Em Mateus 18.15 - Ora, se teu irmão pecar contra ti, vai e repreende-o entre ti e ele só
Em Lucas 3.19 - Sendo, porém, o tetrarca Herodes repreendido
Em João 3.20 - Porque todo aquele que faz o mal aborrece a luz e não vem para a luz para que as suas obras não sejam reprovadas.
Em Efesios 5.11 - E não comuniqueis com as obras infrutuosas das trevas, mas, antes, condenai-as.
Em 1Timóteo 5.20 - Aos que pecarem, repreende-os na presença de todos
Em Apocalipse 3.19 - Eu repreendo e castigo a todos quantos amo
As palavras de Jesus são muito mais contundentes do que "convencer". Ele estava falando de uma ação de repreensão, sentenciamento e correção pela Palavra pregada sob o poder do Espírito Santo e, também, condenatória, no sentido de punição pelo erro. Ação, também, de trazer à tona para o indivíduo o seu próprio erro e fazê-lo se envergonhar, abrindo caminho para a possibilidade de humilhação diante de Cristo e consequente arrependimento e pedido de perdão pelos pecados.
Creio que tendo lido e compreendido o texto conforme o Senhor Jesus declarou, muda todo o nosso posicionamento quanto à pregação da Palavra de Deus. Não vamos ficar pregando ao pecador apresentando-lhe amenidades, fugindo de falar a respeito do pecado, da necessidade de arrependimento. Nem vamos ficar agindo socialmente ou misticamente somente, esperando que o Espírito Santo convença por Ele mesmo. Ao contrário, compreenderemos que o convencimento vem através da repreensão, da apresentação da sentença afirmada por Jesus de que quem não crê nele já está condenado. Através da pregação da Palavra estaremos sendo usados pelo Espírito Santo em um verdadeiro combate contra as trevas.
Além disso, nos dará a visão de que não podemos realmente nos conformar com o mundo, que está no pecado, precisando da justiça de Deus manifestada em Jesus Cristo e à mercê do juízo divino pois tem como príncipe o maligno que já está condenado.
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