sexta-feira, 28 de fevereiro de 2020

ORAÇÕES IMPEDIDAS E NÃO OUVIDAS

Podem orações serem impedidas? Seria realmente a oração uma "arma" infalível? No mundo que se denomina "evangélico" creem que sim.
     Predominam entre nós chavões como: "eu creio no poder da oração", ou "eu creio no poder dos joelhos que se dobram em oração", ou "eu não aceito o mal", ou ainda, "eu exijo que o mal seja extirpado".
     Como ficam, então, os textos das Escrituras que demonstram que há orações que não são ouvidas?
     O apóstolo Pedro fala de impedimento de orações (1Pd 3.7). O profeta Jeremias transmite a palavra de Deus que diz a ele: "Tu, pois, não ores por este povo, nem levantes por ele clamor ou oração, nem me importunes, porque eu não te ouvirei." (Jr 7.16). Diz, também: "Eis que trarei mal sobre eles, de que não poderão escapar, e clamarão a mim; e eu não os ouvirei." (Jr 11.11).
     O próprio Deus expõe o motivo de não ouvir, de as orações serem impedidas, de se tornarem uma importunação para Ele. Diz, ainda através do profeta Jeremias: "Tu, pois, não ores por este povo, nem levantes por eles clamor nem oração; porque não ouvirei no tem em que eles clamarem a mim, por causa do seu mal." (Jr 11.14) Sim, o mal impede as orações. Não adianta clamar, não adianta ajoelhar, não adianta exigir de Deus, se houver prática do mal e se o mal estiver presente na vida de quem ora, ou por quem se faz orações. Mesmo que sejam as orações com grandes gritos (Ez 8.18).
     Que mal poderíamos citar mesmo naqueles que parecem ter uma vida perfeita, piedosa?
     1. O mal do desvio da fé. Quando uma pessoa diz que crê no poder da oração está depositando a sua confiança no ato de orar e deixando de crer naquele que ouve a oração. O poder não é da oração, porém o poder é de Deus, que ouve e tem poder para atender conforme a vontade dEle. Não foi assim que o Filho de Deus nos ensinou, "Seja feita a tua vontade"? (Mt 6:10) Quando alguém afirma que crê no poder dos joelhos dobrados, está depositando em que a sua fé? Nos joelhos ou em Deus?
     2. O mal da soberba. Quando uma pessoa ora exigindo de Deus, ou declarando que algo vai acontecer, está sendo soberbo. Está se colocando acima de Deus; está fazendo dEle o seu servo. Mas Deus resiste ao soberbo. Em 1Pd 5.5 lemos: "revesti-vos de humildade, porque Deus resiste aos soberbos, mas dá graça aos humildes." E em 1Jo 2.16 lemos que a soberba da vida não é do Pai, mas do mundo.
     3. O mal do padrão do mundo. As orações repetitivas seguem um padrão do mundo, das religiões de idolatria, feitiçaria ou filosofias. Jesus foi muito claro quando disse: "não useis de inúteis repetições, como os gentios, que pensam que por muito falarem serão ouvidos." (Mt 6.7)
     4. O mal do exibicionismo. Há pessoas que gostam de orar em público, em declarar que estão orando, que gostam de ser o centro das atenções e se utilizam das orações para isto. Mas, novamente lemos de Jesus ensinando: "E, quando orares, não sejas como os hipócritas; pois se comprazem em orar em pé nas sinagogas, e às esquinas das ruas para serem vistos pelos homens. Em verdade vos digo que já receberam o seu galardão." (Mt 6.5)
     Concluímos que nem todas as orações são ouvidas e que há orações que são impedidas porque trazem em si algum tipo de mal que formam verdadeiras barreiras diante de Deus.